Brasil

1865-1901

A "BadischeAnilin- & Sodafabrik", foi fundada em Mannheim em 06 de abril de 1865 para a produção de corantes, bem como os produtos químicos inorgânicos para sua fabricação. 

Friedrich Engelhorn, fundador da BASF

Em 1856, o inglês Henry William Perkin descobre o primeiro corante de alcatrão de carvão, Mauveine, e a possibilidade de usar o alcatrão de carvão como matéria-prima para corantes sintéticos. Friedrich Engelhorn (1821-1902), dono de uma companhia de gás de carvão em Mannheim, rapidamente reconheceu oportunidades para o alcatrão de carvão que sua empresa produzia e, em 1861, passou a fabricar anilina, a matéria-prima obtida a partir do alcatrão de carvão, e a fucsina, um corante vermelho.

 

Então ele tem uma ideia ainda maior: uma empresa que incorpore todo o processo de produção, desde as matérias-primas e auxiliares, precursores e intermediários até os próprios corantes. Em 1865, Engelhorn transforma isso em realidade e, em 06 de abril, funda uma sociedade anônima em Mannheim, sob o nome BadischeAnilin- & Sodafabrik. Após um plano de aquisição malsucedido de um terreno em Mannheim, as instalações para produção são construídas no lado oposto do rio Reno, em Ludwigshafen, na época parte do reino da Baviera.

No entanto, os primeiros corantes de alcatrão de carvão decepcionaram, já que não possuiam estabilidade cromática e nem resistência à luz (ou seja, desapareciam). Os corantes naturais vermelhos (garança e índigo) continuavam a dominar o mercado, mas já não podiam atender à crescente demanda da indústria têxtil. Cenário que exigiu uma intensiva pesquisa química.

 

Por isso, em 1868, a BASF nomeou o químico Heinrich Caro (1834-1910) como seu primeiro chefe de pesquisa. Um ano depois, em colaboração com os professores Carl Graebe e Carl Liebermann, de Berlin, Caro sintetizou com sucesso o primeiro corante natural: a alizarina, um derivado da raiz da garança, usado principalmente para tingir algodão. Esta se tornou a primeira história de sucesso da BASF e abriu os mercados do mundo para a empresa.

A segurança no trabalho, cuidados com a saúde e a construção de residências para os funcionários, estabeleceram as bases para uma abrangente tradição de política social da BASF. Um ano após sua fundação, quatro prédios haviam sido construídos para os trabalhadores, nos limites do site, e a empresa contratou seu primeiro médico. 

A fim de ampliar suas vendas, em 1873  anhia se uniu a dois comerciantes de corantes bem conhecidos em Stuttgart, Knosp e Siegle, empresas que possuíam, juntas, redes comerciais em todo o mundo com mais de 5 mil clientes. A partir de então, o grupo implantou sites de produção e escritórios de vendas em Nova York (1873), Butirki (1877) e Neuville-sur-Saône (1878).

 

Os anos entre 1876 e 1880, foram desafiadores para a BASF. Em 1876, Heinrich Caro conseguiu sintetizar um corante azul puro para o algodão – o azul de metileno. Um ano mais tarde, BASF conquistou a primeira patente da Alemanha para um corante de alcatrão de carvão. E em 1880, Adolf von Baeyer, um químico da Universidade de Munique, sintetizou com sucesso o índigo, corante natural mais importante naquele momento, e a empresa, juntamente com a Hoechst Dyeworks, adquiriu os direitos de uso da patente, juntando-se assim à corrida para produzi-lo em escala industrial.

Nesse período, a BASF já havia criado 14 pequenos laboratórios para as pesquisas. Mas foi em 1887 que iniciaram a construção de seu "laboratório principal" próximo da sede administrativa, que unia um espaço de análises, uma planta piloto para testes em pequena escala e um espaço de patentes, chefiado por Heinrich Caro, para lidar com patentes nacionais e internacionais.

O azul de metileno também passou a desempenhar um papel importante na medicina, quando pioneiro Robert Koch começou a utilizá-lo para corar o bacilo da tuberculose em sua pesquisa.

O ritmo da crescente demanda por corantes de alizarina obrigou a BASF a se reinventar mais uma vez, já que o ácido sulfúrico fumante (oleum) para a fabricação do corante se tornou escasso e caro. Então, em 1888, Rudolf Knietsch (1854 – 1906) desenvolveu um processo alternativo econômico para a produção de ácido sulfúrico, tornado a BASF a maior fabricante do mundo da substância naquela época. No mesmo ano, Knietsch apresentou outra invenção revolucionária: a liquefação do cloro, um elemento gasoso, tornando possível armazenar, transportar e processar a importante matéria prima para a indústria química. Outra importante descoberta foi feita nos anos seguintes, por Eugen Sapper (1858 – 1912): o processo catalítico do ácido ftálico, permitindo que a substância, base de inúmeros corantes, pudesse ser produzida de forma mais simples e econômica.

 

Após 17 anos de pesquisa intensiva e 18 milhões de marcos de ouro em investimentos - mais do que o capital social da BASF na época – a companhia lançou com sucesso seu sintético "índigo puro", em 1897, ganhando a corrida para fabricação em escala industrial. No entanto, o índigo logo passou a ser substituído pelo corante azul indantreno RS, com estabilidade cromática e resistente à luz, descoberto por René Bohn (1862 – 1922) em 1901. Os corantes de cuba de alta qualidade (corantes têxteis insolúveis em água), desenvolvidos a partir dele, deram aos coloristas novas aplicações para o tingimento e estampagem de têxteis. A introdução do índigo e do indantreno recebeu um impulso decisivo a partir dos agentes redutores e da tina "hidrossulfito BASF" e Rongalit, que convertem os corantes em forma solúvel em água durante o processo de tingimento.